Sylvio José Venturolli
Morreu hoje de manhã, aos 79 anos, Sylvio José Venturolli. Ex-prefeito, ex-deputado federal, "ex-primeiro damo" de Araçatuba. Até ontem, maior símbolo vivo, ao lado do Jorge Maluly Netto, de uma era da política local. Uma era que não existe mais. Sylvio também não existe mais. Fisicamente. Porque na memória de muitos, da política araçatubense ou não, da sua estreita convivência ou não, vai existir por muito tempo. Tinha câncer de pulmão. Fumava inveteradamente. Como fuma Maluly. Como fumo eu. Essa merda é foda. Preciso largar isso. O meu pneumologista, Flávio Garbelini, alertou: "15% dos fumantes desenvolvem câncer de pulmão. Só de pulmão, fora outros cânceres a que estão sujeitos". Meu irmão foi lá no velório, na Câmara. Não fui. Depois, qualquer hora, dou um abraço na dona Germínia. Afinal, não era próximo da família dele, apesar de nossas duas famílias terem histórico de bom relacionamento. Uma das netas dele, filha do Hélio Poço e da Sirte, namorou meu sobrinho Zé Vítor. Conheci o professor Sylvio em 1982. Eu tinha 10. Ele tinha bem mais. Já era mais do que de meia idade. Eu tinha uma meia dúzia de passarinhos (canários), na casa da Afonso Pena, 463. Estava começando a ser passarinheiro. Ele, já passarinheiro de velho, tinha bem mais, na sua Chácara Morada do Sol. E gostava muito mais de curiós do que de canários. Em 1982 era candidato a prefeito, queria voltar ao cargo que outrora ocupara. Seu slogan era: "Essa ninguém segura, é Sylvio na prefeitura". Seguraram. Não conseguiu. Foi o mais votado, pelo PDS (hoje PR), mas perdeu para o Sidnei Cinti, que ganhou com os votos da legenda do PMDB. Os votos do Gordo, somados aos do Valdir Felizola de Moraes e aos do João Rezek, garantiram a vitória do Prefeitão (como era absurda aquela regra eleitoral!). O quinto colocado, rabeira, foi o Percy, do então incipiente (e insipiente) PT. Professor Sylvio é uma legenda da política araçatubense. Suas sagacidade e mordacidade eram sem iguais. Bem adequadas à referida era, bem próprias dela. Frases agressivas contra detratores foram ditas por ele. Frases eternizadas para a história política da cidade, pela devida reprodução na já atenta editoria de Política da Folha da Regiao. Disse, entre outras pérolas, que a cidade tinha "peemedebistas, peemedebestas e peemedebostas". Certa feita, exagerou: mandou um padre progressista "cuidar de sua blenorragia em vez de" ficá-lo atazanando. Ele gostava de mim, sem qualquer motivo específico para que isso ocorresse. Nos dávamos bem, sem qualquer razão particular para que isso ocorresse. O entrevistei várias vezes nas minhas passagens por outras editorias que não a de Esporte. Quando a Ana Eliza deu a notícia da morte dele, à mesa do café aqui em casa, essa manhã, me vieram à cabeça pensamentos, além dos relativos aos perigos do tabaco. Uns pensamentos meio nada a ver com cigarro. Meio tudo a ver com vício, ou com algo que pode viciar. Me lembrei da primeira vez que "tomamos uma" juntos. Uma não, um. Um litro. De Buchanan's, na casa do Genilson na Pedro de Toledo, 704. Nem lembro o ano. Era uma reunião política. Não sei bem por que razão, ficamos sós à mesa. O professor filosofou sobre política. Naquele dia, também não sei por que, estava a fim de falar bastante comigo (fomos dos últimos a ir embora). Ele até me tranquilizou por um desconforto que eu havia acabado de passar, e que havia feito meu rosto ruborizar. Uma daquelas sensações desconfortáveis, vergonhas que temos de nós mesmos como quando presenciamos uma gafe ao vivo, por exemplo, que alguém dá na televisão ou num ambiente comum ao nosso. Ou mesmo quando um sem-noção "se tira", quando um "Robert" se expõe a ridículo. Matreiro, macaco velho, disse o professor Sylvio, do alto de sua experiência: "Deixa pra lá, larga mão, não esquenta, pare de se preocupar com isso. Esse cara não tá nem aí, levou na brincadeira ou até, de tão inocente, não entendeu que era pra ele". Explico. É que um familiar, minutos antes, na referida reunião, e inadvertidamente, havia dito uma frase a correligionários (sobre um correligionário) com objetivo de fazer gozação, piada. Disse que o Zezinho Encanador (o nome era realmente usado na urna, mas só o "inho" que cito não é fictício) havia se candidatado a vereador e tido míseros quatro votos porque estava "acostumado a entrar pelo cano". E o Zezinho estava lá, bem ao lado. Meu familiar ruborizou ainda mais do que eu quando alguém lhe deu um cutucão a alertou sobre a presença do iludido candidato. Mas, voltando à mesa e ao Buchanan's, devo ter tomado um quarto do litro. Professor Sylvio, os outros três. Gostava barbaridade. Tem ainda outra história. Por ela, a coincidência de acontecimentos com a anterior explica o fato de tais pensamentos/lembranças terem se associado a situações em que o bebericar fazia-se presente. Bebericar com e sem álcool. Porque, se o Venturolli me mostrou o Buchanan's, que virou meu uísque predileto, me mostrou também a única cerveja sem álcool que detesto. Ele tinha tido uns piripaques e tomado uns pitos do médico, que o obrigou a aderir à Kronenbier. Desde o 2 de junho em que se casou a jornalista de tevê Patrícia Mendes, não bebo mais uísque. Desde há pouco, não bebo álcool. Só cerveja sem álcool. Bebo com mais frequência a Liber, minha favorita. Dizem que cerveja sem álcool é como dançar com a irmã. Têm razão. Mas estou quase convencido de que posso passar a ser adepto do incesto. Bem, voltando, de novo, ao professor Sylvio, foi por intermédio dele, como disse, que conheci a breja sem etil. Também não lembro o ano. Foi lá na chácara dele, já sem aquele monte de passarinhos porque o Ibama já os havia tirado dele, apreendendo as aves quase que em sua totalidade. Foram-se todas as silvestres. Sobraram apenas as eminentemente de cativeiro. Bestas esses operadores do Ibama, esses arautos da consciência ambiental. Os passarinhos eram silvestres, mas também eram sylvestres (perdoem o trocadilho tosco). Meio da tarde de uma sexta-feira, já tinha terminado o trampo no jornal, mas tinha de gravar com o professor Sylvio uma entrevista que sairia como matéria especial, no segundo domingo seguinte. Lá, experimentei a Kronenbier. Sem sabor, ao contrário de uma das entrevistas mais saborosas que já fiz. Mas chega de falar do professor Sylvio. Porque muito mais gente, e muito mais coisas, há para se falar sobre ele. Desejo apenas conforto à família. Desejo apenas que descanse em paz. Porque, se ele gostava de mim, eu também gostava dele...
Escrito por flemos às 21h32
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Burla´s Hits 2
O novo CD gravado por internet bem que poderia chamar New Life´s Hits, por sua concepção ser contemporânea à tal nova vida. Mas vai ser Burla´s Hits 2 mesmo. Este é mais eclético ainda. Será gravado pelo mano Zé Marcos. As faixas estão quase todas definidas (o Zé disse que cabem mais de 18). Ei-las, as definidas, com as respectivas numerações: 1) Bette Davis Eyes (Kim Carnes) 2) Cats in the Creedle (Ugly Kid Joe) 3) Jump (Van Hallen) 4) Always on my Mind (Pet Shop Boys) 5) Go West (Pet Shop Boys)
6) Pet Sematary (Ramones) 7) Major Tom (Peter Schiling) 8) Another Bring in the Wall (Pink Floyd) 9) Light my Fire (The Doors) 10) La Copa de la Vida (Ricky Martin)
11) Paint in Black (Rolling Stones) 12) Dancin Queen (ABBA) 13) É uma Partida de Futebol (Skank) 14) Thunderstrook (ACDC) 15) She is a Raimbow (Rolling Stones) 16) Radio Ga Ga (Queen) 17) All the Things She Said (T.A.T.U) 18) Take on Me (A-HA)
Escrito por flemos às 18h56
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Burla´s Hits
No meu estojo de CDs, desde janeiro de volta ao porta-luvas do Uninho, é presença obrigatória o Burla´s Hits. Enquanto cá estou, saboreando o pudim de leite condensado da mamãe, sobremesa da lasanha e do frango assado dominicais também à la Cely (são agora 16h53), posto pro blog após longo e tenebroso fim de verão. Que o outono traga boas novas!... Alvíssaras! "Alvíssaras à ave que renasce das próprias cinzas!!!", disse alguém.
E o assunto é o Burla´s Hits. O assunto é música. Música que alivia a alma. "A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe... Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita", falou outro alguém. Burla é como boa parte dos meus sobrinhos me chama. Burla´s Hits é o CD que o querido sobrinho Rodolfo gravou pra mim, lá na casa dele, em Prudente, no fim de 2004. Gravou do computador. Anarfa digital, achei aquilo fantástico à época. Até continuo achando. Foi aquele um fim de semana gostoso lá na casa da mana Suely.
Lá se vão quatro anos. Ou lá se foram quatro anos. E uns tantos outros meses... Lá se foram? Nada! Foram muito bons, engrandecedores, acrescentaram demais... E o Burla´s Hits? O "Burla´s" é tanto engrandecedor quanto entretecedor. Prima pelo ecletismo (ou ecleticismo, tanto faz). Uma miscelânea danada. Tem desde minhas eternamente ouvidas pancadinhas de heavy metal a baladas de pop rock. Desde a indefectível "Maria Magdalena", da irresuscitável Sandra, ao antiquadum eletronicum musicum do bizarramente triangular New Order.
Tem uma faixa proibida, a 11. Dessa bela melodia, à exceção da informação de que se trata de obra do Live, não quero falar. Não agora. Prefiro assim. Não vem ao caso e não convém. Não convém ouvir nem falar. Engaveta. E tranca com cadeado. Porque até no título ela remete a drama (risos). No mais, são outras 17 faixas. Dezoito, portanto, no total. Sei até a numeração de cor da maioria. Ei-las, algumas (depois lembro das outras):
1) Love Bizarre Triangle (New Order) 2) Maria Magdalena (Sandra) 3) McArthur Park (Donna Summer) 4) Pride - In the Name of Love (U2) 5) Never Mind (Nirvana) 6) Until Sleep (Metallica) 7) Whiskey in the Jar (Mettallica) 8) So What (Mettallica) 9) One (Mettallica) 10) 12) Doctor Stein (Helloween) 13) Something (Lasgo) 14) Basket Case (Green Day) 15) Money for Nothing (Dire Straits)
Escrito por flemos às 18h19
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